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O Brasil bate recordes de feminicídio ano após ano
Em 2025, o Brasil registrou 1.568 mulheres assassinadas por feminicídio, o maior número desde que o crime passou a ser tipificado, em 2015. Isso representa quase cinco mulheres mortas por dia, a maioria dentro de casa, pela mão de parceiros ou ex-companheiros.
Os dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública são alarmantes: 8 em cada 10 casos de feminicídio envolvem parceiros ou ex-companheiros. Além disso, em 75% das ocorrências, o crime acontece no âmbito íntimo, ou seja, por alguém que a vítima conhecia, confiava e, em muitos casos, amava.
Mas há algo ainda mais perturbador nessa estatística: o feminicídio raramente surge do nada. Especialistas concordam que, na maioria dos casos, trata-se de um crime anunciado, precedido por uma história de violência, ameaças e processos judiciais que permaneceram invisíveis para a vítima simplesmente porque ela não sabia onde procurar.
O crime que chocou o Brasil e o vídeo que virou símbolo de proteção
Na madrugada de 23 de março de 2026, Dayse Barbosa Mattos, de 38 anos, dormia em casa quando o ex-namorado invadiu o quarto e disparou cinco vezes contra sua cabeça. Ela era a primeira mulher a comandar a Guarda Civil Municipal de Vitória (ES), uma autoridade que dedicou a carreira inteira à defesa dos direitos das mulheres e ao combate ao feminicídio. Poucas horas antes de morrer, ela ainda havia compartilhado nas redes sociais um vídeo sobre a importância da independência financeira para “sair de relacionamentos ruins”.
Um crime premeditado, e com sinais ignorados
O assassino foi o policial rodoviário federal Diego Oliveira de Souza, que planejou o crime com premeditação: chegou com uma escada para escalar a marquise e trazia na mochila faca, canivete, alicate, carregadores de munição e álcool. O relacionamento já carregava sinais claros de perigo, o próprio pai de Dayse presenciou o agressor tentando enforcá-la durante uma das brigas. Ainda assim, não havia registros formais contra ele. Diego não aceitava o fim do relacionamento e, após o crime, tirou a própria vida. A prefeitura de Vitória decretou luto oficial de três dias, e o caso repercutiu em todo o país.
A reação que viralizou e chegou a 9 Milhões de pessoas
O caso chocou o país inteiro. Na cidade vizinha, Serra, a maior do Espírito Santo, a Guarda Civil Municipal reagiu de imediato com uma campanha de conscientização sobre violência contra a mulher. No próprio dia da morte de Dayse, a corporação publicou nas redes sociais que “não existe espaço para omissão”. Na semana seguinte, foi além: lançou um vídeo ensinando mulheres a consultar o CPF ou o nome de pretendentes para verificar antecedentes criminais.
“Antes de se apaixonar, você já pesquisou o CPF dele? Ou você só descobre tudo depois do trauma? Como guarda civil municipal, eu preciso te dar uma dica importante.” — Vídeo da Guarda Civil Municipal de Serra (ES)
O vídeo chegou a quase 9 milhões de visualizações e dividiu opiniões, mas, acima de tudo, abriu os olhos de milhões de mulheres que nunca souberam que essa informação era pública e gratuita. A comandante da Guarda da Serra, Laís Araújo, foi direta ao explicar a iniciativa: “O objetivo é orientar e proteger, porque hoje existem meios legais de fazer essa consulta. Você pode verificar se ele tem passagens, principalmente relacionadas à Lei Maria da Penha. Vale a pena consultar antes de se envolver.”
A ideia é poderosa exatamente pela sua simplicidade: antes de abrir sua casa, sua vida e seu coração para alguém, você pode, e deve, verificar se essa pessoa carrega mandados de prisão em aberto, processos criminais ou histórico de violência doméstica. O que Dayse não pôde fazer, você ainda pode.
Por que isso importa: O perfil do agressor que ninguém vê
Segundo o relatório do Lesfem/UEL (Laboratório de Estudos de Feminicídios da Universidade Estadual de Londrina), o agressor típico tem 36 anos, age sozinho em 94% dos casos e, na maior parte das vezes, o próprio círculo social da vítima o apresenta como “uma boa pessoa”. Ou seja, a aparência de normalidade é parte do problema.
O ciclo que começa antes da violência física
O problema é que relacionamentos abusivos raramente começam com agressões explícitas. O ciclo se inicia com ciúme apresentado como cuidado, controle disfarçado de proteção e críticas sutis que vão minando a autoestima aos poucos. Quando a violência física finalmente aparece, a mulher já está emocionalmente capturada, e romper o vínculo se torna muito mais difícil do que parece de fora.
O histórico que estava disponível, mas ninguém consultou
Mais do que isso: 22% das vítimas de feminicídio em 2025 já haviam registrado denúncias contra seus agressores antes de morrer. Isso significa que esses homens tinham histórico judicial. Um histórico que estava disponível publicamente, mas que as vítimas não chegaram a acessar. Como resultado, uma informação que poderia ter mudado o desfecho permaneceu oculta por desconhecimento.
“Ao menos 70% dos crimes de feminicídio nunca são levados ao Estado, que muitas vezes só consegue perceber depois que a coisa aconteceu.” — Secretário de Segurança Pública do DF, Alexandre Patury
Os 7 sinais de alerta que antecedem o feminicídio
Antes de chegar à ferramenta prática, é fundamental reconhecer os comportamentos de risco. Afinal, a consulta judicial é uma camada de proteção, mas o olhar atento ao dia a dia do relacionamento é a primeira. Segundo delegadas, psicólogos e pesquisadores, estes são os padrões que mais se repetem nos casos investigados:
- Ciúme apresentado como amor — controle de com quem você fala, o que você veste, onde você vai.
- Isolamento progressivo — críticas à sua família e amigos para criar dependência emocional.
- Humilhação e gaslighting — piadas que diminuem, frases como “você entendeu mal” ou “você está louca”.
- Mudanças bruscas de humor — comportamento imprevisível que gera medo constante.
- Ameaças veladas ou explícitas — “você vai se arrepender”, “sem mim você não é nada”, “se você sair, algo vai acontecer”.
- Pressão para acelerar o relacionamento — urgência para morar junto, ter filhos ou comprometer-se rapidamente.
- Histórico de violência anterior — relacionamentos anteriores terminados de forma traumática, processos judiciais, medidas protetivas.
Vale lembrar que um estudo realizado no Distrito Federal mostrou que 98% das vítimas de feminicídio sofreram ameaças antes de morrer. Por isso, ignorar esses sinais pode custar a vida, ameaças aumentam o risco de feminicídio em até 40 vezes.
Como consultar o CPF ou Nome do seu pretendente na Plataforma JUDIT
Chegamos à parte prática. A Plataforma da JUDIT (plataforma.judit.io) reúne em um só lugar o que antes exigia horas de pesquisa manual em dezenas de portais diferentes. Ao contrário do BNMP (Banco Nacional de Mandados de Prisão do CNJ), que tem interface limitada e só mostra mandados ativos, a Judit vai muito além e entrega:
- ✅ Consulta em tempo real de mandados de prisão ativos diretamente no BNMP 2.0
- ✅ Histórico completo de mandados já cumpridos, revogados ou expirados
- ✅ Processos judiciais em todos os tribunais do Brasil
- ✅ Verificação de execuções penais em curso (SEEU)
- ✅ Listas internacionais de sanções (OFAC/ONU)
- ✅ Dados cadastrais associados ao CPF
Passo a passo: como fazer a consulta em minutos
1. Acesse a plataforma Entre em plataforma.judit.io e crie sua conta — o processo leva menos de dois minutos.
2. Clique em “Nova consulta histórica” Em seguida, dê um nome para identificar a busca, por exemplo, “Consulta – João Silva”.
3. Insira o CPF ou nome completo No campo indicado, digite o CPF (com ou sem pontuação) ou o nome completo do pretendente (pode haver homônimos = pessoas com o mesmo nome). Depois, clique em “+” para adicioná-lo à lista.
4. Ative as opções desejadas Na seção “Dados complementares”, ligue os toggles correspondentes:
- Mandados de prisão – ordens judiciais de prisão em aberto
- Execução criminal – processos de execução penal em andamento
- Restrições – listas internacionais de sanções
5. Analise os resultados – Em questão de segundos, a plataforma entrega o panorama judicial completo da pessoa, com tipo do mandado, status, tribunal emissor, regime e histórico de processos.
⚠️ Importante: a ausência de resultados não garante segurança absoluta. Como alerta o secretário Alexandre Patury, muitos casos de violência nunca chegam ao conhecimento do Estado. Por isso, trate a consulta como uma camada essencial de proteção — não a única.
O que os resultados podem revelar, e o que fazer em cada caso
Após realizar a consulta, você pode se deparar com quatro situações distintas. Entender o que cada uma significa é tão importante quanto fazer a pesquisa em si.
🔴 Mandado de Prisão Ativo Encontrado
Nesse caso, a pessoa tem uma ordem judicial de prisão em aberto, seja preventiva (durante investigação), temporária ou definitiva (após condenação). Diante disso, encerre o contato imediatamente e, se necessário, comunique às autoridades.
🟠 Processos Criminais em Andamento
Processos ligados à Lei Maria da Penha, ameaça, lesão corporal, descumprimento de medida protetiva ou crimes sexuais são sinais graves de alerta. Nessa situação, antes de qualquer decisão, busque orientação jurídica e apoio emocional com profissionais de confiança.
🟡 Histórico de Processos Anteriores
Mesmo que já encerrados, processos de violência doméstica revelam um padrão de comportamento que tende a se repetir. Por isso, proceda com cautela e converse com pessoas próximas antes de avançar no relacionamento.
🟢 Nenhum Registro Encontrado
Um bom sinal, mas não motivo para baixar a guarda. A subnotificação ainda é um problema real e significativo no Brasil, e muitos agressores nunca chegaram a ter ocorrências formais registradas contra eles.
O que fazer se você identificar riscos
Identificar um sinal de alerta, seja na consulta judicial, seja no comportamento do pretendente, pode gerar medo e insegurança. Mas é fundamental lembrar: você não está sozinha, e existem canais prontos para te ajudar.
- 📞 Ligue 180 — Central de Atendimento à Mulher (24h, gratuito)
- 📞 Ligue 190 — Polícia Militar (emergências)
- 🏛️ DEAM — Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher da sua cidade
- 📱 Aplicativo Direitos Humanos BR — canal de denúncias do governo federal
- 🤝 Rede de apoio — fale com amigas, familiares ou colegas de confiança
“Antes de abrir as portas da sua casa e da sua vida para uma nova relação, procure saber quem é aquela pessoa. Ter cautela, ir com calma, sem apressar os passos, também é importante.” — Delegada Adriana Romana, chefe da DEAM-DF
Informação é proteção: Compartilhe este conteúdo
Desde a criação da Lei do Feminicídio, em 2015, mais de 13.700 mulheres perderam a vida no Brasil por serem mulheres. Só em 2025, o Judiciário brasileiro recebeu 12.012 novos processos de feminicídio, mais de 32 por dia.
Uma ferramenta ao alcance de todas
Apesar de todos esses números, a tecnologia hoje permite que qualquer mulher, em qualquer canto do Brasil, faça em segundos uma verificação que pode mudar o curso de sua vida. A Plataforma da JUDIT oferece 3 consultas grátis para teste e também planos para pessoa física a partir de R$ 9,90/mês e não exige nenhum conhecimento técnico. Em outras palavras, qualquer mulher com acesso a um celular pode fazer essa consulta agora mesmo.
Compartilhe este artigo. Mande para uma amiga, uma filha, uma irmã. Porque informação é a primeira linha de defesa, e ela começa com um CPF.
FAQ – Perguntas frequentes
Posso consultar o CPF de outra pessoa sem autorização?
Sim. O CPF é um dado de domínio público e processos judiciais são, em sua maioria, informações públicas. Por isso, qualquer pessoa pode consultar mandados de prisão e histórico processual, sem necessidade de procuração ou autorização do titular.
A consulta no Painel Judit é gratuita?
A plataforma disponibiliza consultas básicas de forma gratuita. Para verificações mais completas e em maior volume, existem planos pagos com recursos adicionais.
O que é o BNMP?
O Banco Nacional de Mandados de Prisão é o sistema oficial do CNJ que centraliza mandados expedidos pelos tribunais do país. A Judit consulta o BNMP em tempo real e, além disso, acrescenta histórico completo com cruzamento de outras bases de dados, o que o BNMP sozinho não oferece.
E se o nome for muito comum?
Nesse caso, use o CPF para garantir uma busca precisa. Se não tiver o CPF disponível, insira o nome completo e refine os resultados com data de nascimento, estado ou outras informações que você já conheça sobre a pessoa.
A pessoa consultada recebe algum aviso?
Não. Assim como no Jusbrasil, as partes de um processo não recebem nenhuma notificação quando alguém acessa as informações, a consulta é completamente sigilosa para quem realiza.
- Consultar mandados de prisão por CPF ou Nome com a JUDIT
- Verifique mandados de prisão por CPF ou nome
- Como consultar mandado de prisão pelo CPF: guia completo
- Consultar Mandados de Prisão por CPF ou Nom
Resumo
- Em 2025, o Brasil registrou 1.568 feminicídios, representando quase cinco mortes por dia, a maioria cometida por parceiros ou ex-parceiros.
- A tragédia da guarda Dayse Barbosa Mattos, assassinada por seu ex-namorado, gerou uma campanha de conscientização sobre a importância de verificar antecedentes criminais.
- O uso da plataforma JUDIT permite que mulheres consultem o CPF ou nome de pretendentes para verificar mandados de prisão e processos judiciais disponíveis publicamente.
- Identificar sinais de alerta, como ciúmes excessivos e isolamento, é crucial para prevenir feminicídios; 98% das vítimas relataram ameaças antes de morrer.
- Informação é proteção; qualquer mulher pode usar a plataforma JUDIT para fazer consultas rápidas e gratuitas sem necessidade de autorização.
Fontes: CNJ (2026), Fórum Brasileiro de Segurança Pública (2026), Laboratório de Estudos de Feminicídios/UEL (2026), Ministério da Justiça e Segurança Pública, Metrópoles, Agência Brasil, CNN Brasil, A Gazeta, Folha Vitória, Judit.io
Este artigo tem caráter informativo e de proteção. Não substitui orientação jurídica ou psicológica especializada.






