Brasil bate recorde de judicialização: O que 40,9 milhões de novos processos significam para sua empresa

Um país que nunca litigou tanto

O Brasil nunca litigou tanto. O relatório Justiça em Números 2026, que o CNJ publicou com dados do ano-base 2025, mostra esse cenário com clareza: o país registrou 40,9 milhões de novos processos ajuizados em um único ano. Esse volume representa crescimento de 3,5% em relação a 2024 e marca o maior número de toda a série histórica, iniciada em 2009.

À primeira vista, muitos leem esse dado como um problema do Judiciário. No entanto, para quem está do lado das empresas, ele funciona antes de tudo como um indicador de risco. Afinal, cada um desses 40,9 milhões de processos envolve, em uma das pontas, uma pessoa física ou jurídica que passou a carregar um passivo, uma contingência ou um sinal de alerta em seu histórico.

Por isso, neste artigo, destrinchamos esse número e mostramos como as empresas podem transformá-lo em decisão prática.

O tamanho do recorde em perspectiva

112 mil novas ações por dia

Para dimensionar o volume, basta olhar a média diária: 40,9 milhões de processos em um ano equivalem a cerca de 112 mil novas ações por dia, incluindo fins de semana e feriados.

Além disso, em termos per capita, o relatório aponta 192 ações ajuizadas a cada mil habitantes em 2025, uma alta de 3% sobre o ano anterior.

Ou seja, o aumento não aparece apenas no número total de processos. Ele também se reflete na proporção de ações em relação à população.

Gratuidade também bateu recorde

O acesso à Justiça também bateu recorde pelo lado da gratuidade. Em 2025, o Judiciário registrou 3.650 processos arquivados com concessão de assistência judiciária gratuita para cada 100 mil habitantes, o maior valor já registrado na série.

Nesse sentido, o crescimento da judicialização acompanha também uma ampliação do acesso ao sistema de Justiça.

De onde vem o crescimento da judicialização?

O aumento, porém, não aconteceu de forma uniforme. Ao analisar os segmentos de Justiça, o Justiça em Números 2026 mostra três focos claros de pressão.

Justiça Federal: alta de 19,8% em um ano

A Justiça Federal apresentou o crescimento mais expressivo e recebeu 6,4 milhões de casos novos.

Dois movimentos explicam essa alta. Em primeiro lugar, entraram 700 mil novos processos de matéria previdenciária e assistencial, um crescimento de 23,7%. Nesse ponto, o TRF5 teve destaque, já que sozinho concentrou aumento de 280 mil feitos.

Em segundo lugar, as novas execuções fiscais federais saltaram 90,9%, com 178 mil processos a mais.

Assim, a Justiça Federal se tornou um dos principais vetores do recorde nacional de judicialização.

Justiça do Trabalho: crescimento de 6,5%

A Justiça do Trabalho recebeu 5,2 milhões de novas ações, um crescimento de 6,5%.

Além disso, esse foi o único grande segmento em que o estoque também subiu, com alta de 3%. Esse movimento indica que a demanda trabalhista cresce mais rápido do que a capacidade de vazão dos tribunais.

Em outras palavras, os tribunais trabalhistas não conseguiram compensar totalmente o aumento de casos novos no período.

Justiça Estadual: alta de 4,3% sobre uma base gigante

A Justiça Estadual segue concentrando o grosso da litigiosidade brasileira. Em 2025, ela recebeu 28,3 milhões de casos novos, quase 70% de tudo o que ingressou no país.

Por isso, um crescimento de 4,3% sobre uma base desse tamanho representa, sozinho, mais de 1 milhão de processos adicionais.

Dessa forma, mesmo uma variação percentual menor na Justiça Estadual gera um impacto absoluto muito relevante no volume total de judicialização.

O paradoxo: demanda recorde, estoque em queda

Aqui está o ponto que muitas leituras apressadas do relatório deixam escapar. Apesar do recorde de novos processos, o acervo total caiu para 75,5 milhões de pendentes, o menor patamar em 9 anos.

Mas como isso aconteceu?

A resposta passa por dois fatores. Primeiro, a produtividade dos tribunais atingiu patamar recorde: em 2025, o Judiciário baixou 45,2 milhões de processos e realizou 44,7 milhões de julgamentos.

Segundo, e mais importante, a Política de Eficiência das Execuções Fiscais do CNJ eliminou 4,4 milhões de execuções fiscais do acervo em 2025, depois de já ter cortado 5,6 milhões em 2024.

Ou seja: o estoque caiu porque o Judiciário deu baixa em um passivo histórico de cobranças fiscais, e não porque o país passou a litigar menos.

Portanto, a judicialização nova, aquela que atinge empresas, consumidores e relações de trabalho hoje, continua em plena aceleração.

O que o recorde de judicialização significa na prática para empresas

Quando traduzimos esse número em risco operacional, três consequências diretas se impõem.

1. A probabilidade de surpresa processual nunca foi tão alta

Com 112 mil novas ações por dia, cresce a chance de sua empresa receber uma citação sem perceber, de um cliente entrar em recuperação judicial no meio de um contrato ou de um fornecedor acumular execuções que comprometam a entrega.

Além disso, o relatório traz um agravante silencioso: 2,1 milhões de processos foram reativados em 2025. Em outras palavras, eles voltaram a tramitar depois de já terem sido baixados.

Por isso, quem consulta um CNPJ uma única vez, apenas no onboarding, enxerga só uma fotografia de um filme em movimento.

2. Análise de crédito e compliance precisam incorporar dados judiciais em escala

O perfil litigioso de uma pessoa ou empresa virou uma variável de crédito tão relevante quanto o score financeiro.

Afinal, um CNPJ com execuções fiscais crescentes, ações trabalhistas em série ou processos criminais associados aos sócios conta uma história que o birô tradicional não mostra.

No entanto, com o volume atual de judicialização, as empresas não conseguem fazer essa checagem manualmente, tribunal por tribunal, sem comprometer tempo, escala e eficiência operacional.

3. O monitoramento contínuo virou requisito, não diferencial

Em um cenário de demanda recorde, a pergunta deixou de ser “meu cliente tem processos?” e passou a ser “o que mudou na situação processual da minha carteira esta semana?”.

Nesse contexto, distribuições novas, movimentações relevantes, decisões e reativações precisam acionar alertas automáticos, integrados ao fluxo de decisão do negócio.

Assim, o monitoramento processual contínuo deixa de ser apenas uma camada adicional de segurança e passa a fazer parte da gestão de risco.

Como a JUDIT ajuda a navegar o cenário de judicialização recorde

A JUDIT atua como uma infraestrutura de dados jurídicos que conecta mais de 90 tribunais brasileiros em uma única camada de consulta e monitoramento. Além disso, reúne mais de 450 milhões de processos na base e processa mais de 1 milhão de atualizações diárias.

Na prática, isso permite:

Consulta processual em tempo real por CPF, CNPJ, OAB, nome ou número CNJ, com retorno direto dos sistemas dos tribunais;

Histórico processual completo, incluindo processos arquivados, suspensos e encerrados, para uma visão real do perfil litigioso;

Monitoramento contínuo de carteiras inteiras de CPFs e CNPJs, com alertas de novas distribuições e movimentações;

Background check jurídico e criminal, incluindo consulta a mandados de prisão via BNMP, para due diligence e onboarding de alto risco;

Integração via API para automatizar validações dentro dos sistemas de crédito, compliance e gestão jurídica da própria empresa.

Perguntas frequentes sobre o recorde de judicialização

Quantos processos foram abertos no Brasil em 2025?

Segundo o Justiça em Números 2026, do CNJ, o Brasil registrou 40,9 milhões de casos novos em 2025, o maior volume da série histórica iniciada em 2009.

Por que a judicialização cresceu em 2025?

Os principais vetores foram o aumento de 19,8% nos casos novos da Justiça Federal, puxado por demandas previdenciárias e execuções fiscais; o crescimento de 6,5% na Justiça do Trabalho; e a alta de 4,3% na Justiça Estadual, que concentra a maior parte da litigiosidade do país.

Se há recorde de processos novos, por que o estoque do Judiciário caiu?

O estoque caiu porque os tribunais mantiveram a produtividade em patamar recorde e porque a Política de Eficiência das Execuções Fiscais do CNJ retirou milhões de cobranças fiscais antigas do acervo.

Assim, a redução do estoque reflete a limpeza de um passivo histórico, não uma queda na litigiosidade nova.

Monitoramento processual como resposta ao novo cenário

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