O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) publicou, no fim de junho de 2026, a 23ª edição do relatório Justiça em Números, o diagnóstico oficial mais completo do Poder Judiciário brasileiro. Com dados do ano-base 2025, o documento reúne informações de todos os 91 órgãos da Justiça e, pela primeira vez na história da série, também compila dados do Supremo Tribunal Federal.
Nesse sentido, o retrato de 2025 é marcado por um paradoxo que resume o momento da Justiça no Brasil: nunca se ajuizaram tantos processos judiciais, e mesmo assim o estoque caiu ao menor patamar dos últimos 9 anos. Neste artigo, a JUDIT organiza os principais números do relatório Justiça em Números 2026 e explica o que eles significam, na prática, para empresas, departamentos jurídicos, fintechs e todo negócio exposto a risco judicial.
O Justiça em Números é o anuário estatístico do Poder Judiciário, elaborado pelo Departamento de Pesquisas Judiciárias (DPJ) do CNJ. Além disso, a publicação existe há 22 anos e, desde a edição de 2022, utiliza como fonte primária o DataJud, o Banco de Dados Nacional do Poder Judiciário, que recebe os metadados processuais de todos os tribunais do país.
A edição de 2026 cobre o ano-base 2025 e apresenta série histórica de 17 anos, de 2009 a 2025, com indicadores de litigiosidade, produtividade judicial, tempos de tramitação, despesas, arrecadação, conciliação, recorribilidade e transformação digital no Judiciário.
O relatório Justiça em Números 2026 revela um Judiciário brasileiro com demanda recorde, alta produtividade e queda no acervo de processos pendentes. Entre os principais indicadores estão o número de casos novos, os processos baixados, a taxa de congestionamento, o tempo médio de tramitação e o avanço da Justiça digital.
Em 2025, ingressaram 40,9 milhões de processos no Poder Judiciário, um crescimento de 3,5% em relação a 2024 e o maior volume de toda a série histórica. Por segmento, os casos novos se distribuíram assim na Justiça:
Estadual: 28,3 milhões (+4,3%)
Federal: 6,4 milhões (+19,8%)
Trabalho: 5,2 milhões (+6,5%)
Tribunais Superiores: 891 mil (+0,2%)
Justiça Eleitoral: 131 mil (queda esperada, já que 2025 não foi ano eleitoral)
Justiça Militar: 4.156 processos (+12%)
Nesse cenário, o crescimento da Justiça Federal chama atenção: quase 20% de alta em um único ano, puxada por 700 mil novos processos de matéria previdenciária e assistencial (+23,7%) e por 178 mil novas execuções fiscais (+90,9%).
Apesar da demanda recorde, o Judiciário encerrou 2025 com 75,5 milhões de processos pendentes, uma redução de cerca de 3,4 milhões em relação a 2024. Além disso, é o menor estoque desde meados da década passada, bem distante do pico de 84,3 milhões registrado entre 2020 e 2023.
Desses 75,5 milhões, 16,4 milhões (21,7% do total) estavam suspensos, sobrestados ou em arquivo provisório, aguardando alguma definição jurídica futura, como julgamentos de repercussão geral no STF ou de recursos repetitivos no STJ. Na prática, portanto, 59 milhões de processos estavam em efetiva tramitação ao fim de 2025.
Foram baixados 45,2 milhões de processos em 2025, mantendo o patamar recorde do ano anterior. Além disso, o número de julgamentos chegou a 44,7 milhões, também recorde da série, com crescimento acumulado de produtividade de 88,6% em 16 anos.
Mesmo assim, o relatório destaca o chamado tempo de giro do acervo: se nenhum processo novo entrasse e a produtividade fosse mantida, seriam necessários cerca de 1 ano e 8 meses de trabalho para zerar o estoque atual.
O Justiça em Números 2026 traz os tempos médios de tramitação, um dos indicadores mais consultados por quem precisa provisionar contingências, estimar prazos judiciais e avaliar risco jurídico:
Tempo médio do processo baixado: 2 anos e 4 meses
Tempo médio do processo baixado sem execuções fiscais: 1 ano e 6 meses
Acervo pendente: 3 anos e 7 meses
Fase de conhecimento: 2 anos e 5 meses
Fase de execução: 4 anos e 9 meses
Execução fiscal (baixados): 8 anos e 2 meses
A leitura, portanto, é direta: a fase de execução demora quase o dobro da fase de conhecimento, e a execução fiscal segue sendo o grande gargalo do sistema. Em outras palavras, ganhar o processo é apenas metade do caminho.
A taxa de congestionamento, que mede o percentual de processos que ficam represados sem solução em relação ao total tramitado no ano, caiu para 62,6% em 2025, o menor valor de toda a série histórica iniciada em 2009. Já a taxa líquida, que desconsidera processos suspensos, ficou em 56,6%.
Para efeito de comparação, em 2020, no auge da pandemia, a taxa havia atingido 74,9%. Desde então, a trajetória de queda reflete o esforço de produtividade dos tribunais e, principalmente, o impacto da política de execuções fiscais do CNJ.
A queda do estoque em 2024 e 2025 tem um responsável claro: a Política de Eficiência das Execuções Fiscais do CNJ. Em 2025, o acervo de execuções fiscais caiu 4,4 milhões de processos (-21,3%), depois de já ter recuado 5,6 milhões em 2024. Além disso, a taxa de congestionamento na execução fiscal, que era de 87,1% em 2023, caiu para 72,4%.
Esse é um dado essencial para interpretar corretamente o relatório: a redução do acervo não significa que o Brasil está litigando menos. Pelo contrário, significa que o Judiciário está limpando um passivo histórico de cobranças fiscais de baixa recuperabilidade, enquanto a demanda por novos processos segue crescendo.
As despesas totais do Poder Judiciário somaram R$ 164,6 bilhões em 2025, o equivalente a 1,3% do PIB e a 2,7% dos gastos totais da União, estados, Distrito Federal e municípios. Por outro lado, a Justiça arrecadou R$ 68,2 bilhões, o que corresponde a 41% de suas despesas.
Em pessoal, o sistema conta com 19.094 magistrados e 281.252 servidores. Além disso, somando terceirizados, estagiários, juízes leigos, conciliadores e voluntários, são 459.397 pessoas trabalhando na Justiça. O Brasil tem 8,9 juízes por 100 mil habitantes, menos da metade da média europeia, de 18.
O relatório confirma a virtualização quase total da Justiça brasileira: 99,7% dos processos ajuizados em 2025 foram eletrônicos. Em 2009, esse percentual era de apenas 11,2%. Ao longo dos 17 anos da série histórica, 337 milhões de casos novos foram protocolados em formato eletrônico.
Essa digitalização integral, portanto, é a base que sustenta o ecossistema de dados do Judiciário, com iniciativas como o DataJud, a Plataforma Codex, o Sinapses (plataforma nacional de modelos de inteligência artificial), o Domicílio Judicial Eletrônico e o portal Jus.br. Nesse contexto, o CNJ descreve essa evolução com um conceito preciso: transformar a Justiça em um serviço, no modelo de justice as a service.
A partir desses dados, três conclusões práticas se destacam para quem gerencia risco jurídico, compliance, análise processual, due diligence, crédito, cobrança, operações financeiras ou relacionamento com clientes e fornecedores:
Com 40,9 milhões de novos processos em um ano e 192 ações ajuizadas a cada mil habitantes, a probabilidade de uma empresa, um cliente ou um parceiro comercial figurar em um processo é a maior da história. Por isso, monitoramento processual contínuo deixou de ser diferencial e virou requisito básico de gestão de risco.
Com 16,4 milhões de processos suspensos e 2,1 milhões de processos reativados apenas em 2025, consultas pontuais capturam só uma parte do risco. Assim, a análise completa exige histórico processual, incluindo processos arquivados, suspensos e encerrados.
Afinal, a diferença entre um processo trabalhista (2 anos e 7 meses em média) e uma execução fiscal (8 anos e 2 meses) muda completamente o cálculo de contingência, o valuation de uma carteira ou a decisão de fazer acordo.
É exatamente para esse cenário que a JUDIT existe: uma infraestrutura de dados jurídicos com mais de 450 milhões de processos na base e mais de 1 milhão de atualizações diárias, cobrindo os mais de 90 tribunais do país. Via API ou plataforma, empresas consultam processos por CPF, CNPJ, OAB ou número CNJ, monitoram movimentações em tempo real e usam inteligência artificial para ler e resumir processos em segundos.
Segundo o Justiça em Números 2026 (ano-base 2025), o Poder Judiciário encerrou 2025 com 75,5 milhões de processos pendentes, dos quais 59 milhões em efetiva tramitação.
Foram 40,9 milhões de casos novos, o maior volume da série histórica do CNJ, iniciada em 2009.
O tempo médio do processo baixado em 2025 foi de 2 anos e 4 meses. Desconsiderando execuções fiscais, cai para 1 ano e 6 meses. Já o acervo pendente tem tempo médio de 3 anos e 7 meses.
R$ 164,6 bilhões em 2025, o equivalente a 1,3% do PIB. Além disso, a arrecadação da Justiça cobriu 41% desse valor.
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