Prefeito de Turilândia é denunciado pelo MP/MA por desvio de R$ 56 milhões

O Ministério Público do Maranhão (MP/MA) apresentou denúncia criminal contra dez pessoas acusadas de integrar uma organização criminosa que teria causado prejuízo superior a R$ 56 milhões aos cofres do município de Turilândia/MA. O órgão protocolou a acusação na última segunda-feira, 19.

Entre os denunciados está o prefeito Paulo Curió, apontado como líder do esquema. Além disso, o MP incluiu a esposa do prefeito, Eva Curió, a vice-prefeita Tânya Mendes e a ex-vice-prefeita Janaína Lima, bem como outros familiares próximos.

Núcleo familiar e blindagem patrimonial

Segundo o procurador-geral de Justiça, Danilo de Castro, a denúncia sustenta que os acusados formavam um núcleo político e familiar estruturado. Dessa forma, o grupo teria garantido coesão interna, controle financeiro e blindagem patrimonial.

Ainda conforme a acusação, parentes diretos do prefeito atuavam como um círculo de confiança, responsável por ocultar, movimentar e usufruir dos valores desviados. Por isso, o MP considera a participação familiar essencial para a estabilidade da organização criminosa.

Operação Tântalo II e prisões

O Gaeco do MP/MA prendeu os investigados durante a Operação Tântalo II, deflagrada em 22 de dezembro de 2025. Desde então, as autoridades apuram a atuação do grupo dentro da administração municipal.

Atualmente, os principais acusados seguem presos. Além do prefeito e da primeira-dama, outros integrantes do esquema também permanecem sob custódia preventiva.

Licitações simuladas e notas fiscais falsas

De acordo com o MP/MA, o esquema se baseava em licitações simuladas e na chamada “venda” de notas fiscais. Empresas venciam certames fraudulentos e firmavam contratos apenas para dar aparência de legalidade aos desvios.

Conforme a denúncia, os empresários ficavam com 10% a 18% dos valores, enquanto o prefeito e pessoas próximas recebiam entre 82% e 90%, exclusivamente pela emissão de notas fiscais ideologicamente falsas, sem prestação real de serviços.

O prejuízo estimado ao erário alcançou R$ 56.328.937,59, considerando contratos fraudulentos firmados desde 2021.

Uso do dinheiro e lavagem de capitais

Ainda segundo o Ministério Público, parte dos recursos desviados financiou despesas pessoais do prefeito e de familiares. Entre elas, o MP cita o pagamento da faculdade de medicina da primeira-dama e a aquisição de imóveis, utilizados como estratégia de lavagem de dinheiro.

Além disso, a acusação afirma que Eva Curió controlava contas do município e realizava movimentações financeiras, mesmo sem ocupar cargo público formal.

Prisão mantida e crise institucional

O caso já havia ganhado repercussão após o TJ/MA manter a prisão do prefeito e da primeira-dama, contrariando parecer da Procuradoria-Geral de Justiça, que defendia a liberdade provisória com medidas cautelares.

Essa divergência provocou uma crise interna no MP/MA, culminando na exoneração coletiva de promotores do Gaeco. Apesar disso, o Tribunal entendeu que a prisão era necessária para preservar as investigações e evitar novos crimes.

Crimes denunciados e pedidos do MP

O MP/MA pediu a condenação dos acusados pelos crimes de:

  • organização criminosa;
  • peculato-desvio;
  • fraude a procedimento licitatório;
  • corrupção passiva;
  • lavagem de capitais.

Além das penas criminais, o Ministério Público requereu:

  • perda de bens e valores obtidos de forma ilícita, mesmo em nome de terceiros;
  • perda de cargo público ou mandato eletivo;
  • ressarcimento integral do dano, estimado em R$ 56.328.937,59, com correção e juros.

Por fim, o MP informou que novas denúncias poderão ser apresentadas contra outros núcleos do esquema, como o empresarial, administrativo-operacional e legislativo.

Fonte: Migalhas

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