Roblox limita chat e exige idade alinhada com o ECA Digital

Roblox endurece regras de chat e segurança digital

A plataforma de jogos Roblox anunciou mudanças relevantes em suas políticas de comunicação. A partir de agora, a empresa exige verificação de idade para liberar recursos de chat e, além disso, passou a separar usuários por faixas etárias. Com isso, a medida reduz o contato direto entre crianças e adultos e reforça a segurança no ambiente on-line.

No Brasil, essas alterações surgem em paralelo à sanção do ECA Digital (lei 15.211/25). A nova legislação estabelece obrigações mais rígidas para plataformas digitais e antecipa a adoção de mecanismos eficazes de proteção a crianças e adolescentes. A fiscalização oficial da norma começa em março de 2026.

Assim, o movimento do Roblox acompanha a nova lógica regulatória: menos autodeclaração e, consequentemente, mais controle de acesso e prevenção de riscos.

O que é o Roblox?

O Roblox funciona como uma plataforma on-line que reúne milhares de jogos e experiências criadas pelos próprios usuários. Bastante popular entre crianças e adolescentes, o serviço também opera como uma rede social de games, já que permite interação em tempo real por meio de chat de texto e voz.

Por isso, especialistas e autoridades veem o modelo com atenção, sobretudo quando o assunto envolve proteção de menores no ambiente digital.

Verificação de idade para liberar o chat

Com as novas regras, o acesso aos recursos de chat depende da comprovação de idade. Esse processo pode ocorrer por estimativa facial, usando a câmera do dispositivo, ou por verificação de identidade, conforme o caso.

Segundo a empresa, a implementação ocorreu de forma gradual. Primeiro, houve adesão voluntária. Em seguida, a verificação tornou-se obrigatória, com expansão global em janeiro de 2026, quando passou a valer também no Brasil.

Barreiras entre crianças, adolescentes e adultos

Após a verificação, o Roblox classifica os usuários em grupos etários:

  • menores de 9 anos;
  • 9 a 12 anos;
  • 13 a 15 anos;
  • 16 a 17 anos;
  • 18 a 20 anos;
  • 21 anos ou mais.

A comunicação fica limitada a pessoas da mesma faixa ou de grupos próximos. Dessa forma, a plataforma impede interações com usuários significativamente mais velhos.

Além disso, o chat dentro das experiências vem desativado por padrão para menores de 9 anos, salvo autorização dos responsáveis. Já o chat fora dos jogos permanece bloqueado para quem tem menos de 13 anos. O Roblox também informou que irá endurecer o acesso a links externos, sobretudo de redes sociais.

Conexão direta com o ECA Digital

As medidas dialogam diretamente com o ECA Digital, considerado o primeiro marco legal brasileiro a impor deveres e sanções específicas às plataformas digitais. Entre os pontos previstos estão:

  • verificação eficaz de idade, substituindo a simples autodeclaração;
  • prevenção contra abuso, assédio e cyberbullying;
  • fortalecimento da supervisão parental;
  • regras para remoção rápida de conteúdos perigosos;
  • preservação de dados para investigações e relatórios de transparência.

A fiscalização ficará a cargo da ANPD, com previsão de advertências e multas. Sanções mais severas dependerão de decisão judicial.

Reação no Brasil e o caso Felca

No Brasil, as mudanças geraram forte reação entre usuários, especialmente crianças e adolescentes. Nas redes sociais, surgiram protestos e reclamações. Nesse contexto, o influenciador Felca passou a sofrer ataques e ameaças após ter seu nome associado ao endurecimento das regras.

O episódio ganhou força porque o ECA Digital passou a circular informalmente com o apelido de “lei Felca”, em referência ao influenciador e ao debate sobre exposição e adultização de menores na internet. Apesar disso, o Roblox afirma que a decisão integra uma política global de segurança.

Em tom irônico, Felca publicou um vídeo simulando uma ligação telefônica e dizendo: “derruba o Roblox todo”.

Um novo cenário para a proteção infantil on-line

O caso evidencia uma tendência global. Cada vez mais, legislações e pressões públicas exigem que plataformas adotem mecanismos eficazes para proteger públicos vulneráveis.

No Brasil, o ECA Digital consolida essa virada regulatória. A partir de março de 2026, empresas de tecnologia precisarão se adequar a regras mais rígidas, sob pena de sanções.

Fonte: Migalhas

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