A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou, nesta quarta-feira (24), um projeto que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês, o que corresponde a R$ 60 mil por ano. A medida, que começa a valer em 2026, busca aliviar o orçamento da classe média e também estimular o consumo interno.
Atualmente, a faixa de isenção cobre apenas quem recebe até R$ 3.036 mensais, equivalente a dois salários mínimos. Assim, com a nova proposta, haverá um avanço significativo. Além disso, o texto aprovado prevê um desconto progressivo no IR para rendas que variam entre R$ 5.001 e R$ 7.350.
Como a votação ocorreu em caráter terminativo, o projeto seguirá para a Câmara dos Deputados, exceto se houver recurso para análise no plenário do Senado. Dessa forma, a tramitação tende a avançar de maneira mais rápida.
O projeto foi apresentado em 2019 pelo senador Eduardo Braga (MDB-AM). Contudo, apenas recentemente o senador Renan Calheiros (MDB-AL) assumiu a relatoria, defendendo a sua aprovação imediata. Ele ressaltou que o texto do governo Lula, bastante semelhante, encontra-se parado na Câmara.
Além disso, a disputa política entre Renan Calheiros e Arthur Lira (PP-AL) fortaleceu a movimentação no Senado. Enquanto Renan liderou a articulação pela aprovação, Arthur Lira ficou responsável pelo projeto do Executivo na Câmara. Ambos, vale lembrar, devem concorrer ao Senado em 2026, o que intensifica ainda mais a rivalidade.
Segundo Renan Calheiros, a ampliação da isenção aumentará o poder de compra das famílias de baixa e média renda. Dessa maneira, haverá uma “substancial injeção de recursos na economia”, favorecendo diretamente o consumo e também o crescimento econômico.
Por outro lado, o texto aprovado também estabelece, a partir de 2026, o Imposto de Renda da Pessoa Física Mínimo (IRPFM). Esse tributo será aplicado sobre rendas anuais acima de R$ 600 mil, com alíquotas progressivas que podem chegar a 10% para valores superiores a R$ 1,2 milhão.
Assim, a medida busca corrigir distorções do sistema atual, em que contribuintes de alta renda, em determinadas situações, pagam proporcionalmente menos impostos do que cidadãos da classe média.
No que se refere aos lucros e dividendos, a proposta mantém a isenção para valores de até R$ 50 mil mensais recebidos por pessoas físicas residentes no Brasil. Entretanto, haverá retenção de 10% na fonte para valores que ultrapassarem esse limite. Já os dividendos enviados ao exterior também terão incidência de 10%.
Fonte: G1
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