O presidente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Ricardo Saadi, afirmou nesta sexta-feira (22/8) que o órgão precisa de um “tratamento de choque” para superar sua defasagem. Ele falou sobre o tema durante o debate “O papel do Coaf no Combate ao Crime Organizado”, na Faculdade de Direito da USP.
De acordo com Saadi, o sistema do Coaf continua semelhante ao usado no final da década de 1990. Além disso, apenas nove servidores analisam hoje um acervo de 7,5 milhões de Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs).
O Coaf recebe comunicações sobre operações suspeitas e as encaminha à Polícia Federal e ao Ministério Público. Entretanto, a falta de estrutura gera grandes atrasos.
“O sistema não consegue filtrar adequadamente. Depois disso, ainda precisamos de checagem manual. Como temos só nove analistas, várias comunicações chegam ao MP e à PF com três, quatro ou até cinco anos de atraso”, explicou o presidente.
Para mudar esse cenário, Saadi anunciou a criação de uma plataforma tecnológica totalmente nova. Segundo ele, a previsão mínima para conclusão é de um ano. Enquanto isso, o Coaf conta com servidores cedidos por bancos e pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), o que ajuda a acelerar as análises.
“Vamos construir o sistema do zero. O modelo atual não serve mais. Se tentássemos remendar, continuaríamos com falhas graves”, reforçou Saadi.
Fonte: Conjur
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